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Seis restaurantes para celebrar a imigração japonesa no Brasil

Pedro Marques

18/06/2019 15h49

Seleção de sushis do Nōsu (crédito: Divulgação)

Cento e onze anos atrás, o Kasato Maru desembarcou em Santos trazendo as primeiras 165 famílias japonesas para trabalhar nas lavouras de café brasileiras. Hoje, o país abriga a maior comunidade de descendentes fora do Japão: estima-se que ela tenha 1,5 milhões de nipo-brasileiros.

Entre as várias contribuições trazidas ao país por esses imigrantes, a culinária com certeza é uma das mais populares – basta ver o tanto de rodízio de sushi que tem por aí. Tá certo que rodízio não é a melhor representação da comida japonesa (apesar de gostar bastante) nesse texto, mas já é alguma coisa.

Aliás, existem grandes diferenças entre a culinária nipônica encontrada no Brasil com a que é praticada no Japão. Um movimento mais do que normal e que aconteceu com outras culinárias, como a italiana. Um dos motivos é a ausência de ingredientes. Os primeiros imigrantes japoneses, por exemplo, usavam melaço de cana para fazer shoyu, porque não havia soja disponível para fazer o molho.

Com o tempo, claro, muita coisa começou a ser produzida por aqui e tantas outras começaram a ser importadas. Mas ainda há ingredientes que chegam apenas raramente, como o wasabi in natura – a raiz forte, que é ralada na hora. Sem esses ingredientes, fica difícil ter todos os sabores encontrados no Japão (um problema que é bem menor em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo)

O que é uma pena, pois a culinária japonesa é uma das mais refinadas do mundo – na opinião desse escriba, é a melhor de todas. Segundo o guia Michelin, Tóquio tem 230 restaurantes estrelados. Treze 13 deles com três estrelas, 52 com duas estrelas e 165 com uma estrela. Paris, a segunda capital mais "estrelada", por sua vez, tem "apenas" 113 restaurantes condecorados com estrelas (a França, porém, tem mais restaurantes estrelados que o Japão no total).

O que não quer dizer que não existam bons restaurantes japoneses, ainda mais em São Paulo, onde estão a maioria dos descendentes nipo-brasileiros. A seguir, uma seleção de clássicos para conhecer mais sobre essa culinária tão requintada.

Aizomê
Comandado pela chef Telma Shiraishi, se destaca pelo estilo kaiseki, que funciona no estilo menu-degustação. É frequentemente eleito como uma das melhores casas de comida japonesa do país.
http://www.aizome.com.br/

Nōsu
O lindo visual externo e o salão são decorados com bambu e remetem a uma noz (nōsu quer dizer noz, em japonês). Da cozinha saem sashimis e sushis em versões clássicas e modernas, como o sushi de vieira trufado.
http://www.nosu.com.br/

Shin-Zushi
A seleção de pescados e frutos do mar está entre as melhores da cidade. Às vezes serve atum bluefin, dos mais raros e caros.
https://shinzushi.com.br/

Izakaya Matsu
Boteco ao estilo japonês, serve pratos quentes, como karaague, frango frito marinado em shoyu e gengibre, karê (curry) e tonkatsu (lombo de porco frito selado com ovos e servido com molho agridoce).
https://www.instagram.com/izakayamatsu/

JoJo Ramén
Coisa comum no Japão é ter restaurantes especializados em apenas um prato. Um desses exemplos, mas aqui no Brasil, é JoJo Ramen. Serve apenas quatro tipos de laméns (macarrão em caldo) e alguns petiscos. Costuma fazer fila (e vale a pena).
https://www.jojoramen.com.br

Vivianne Wakuda
Não é bem um restaurante. Mas a chef confeiteira se destaca pelos doces no estilo yogashi – que são a versão japonesa de tradicionais confeitos europeus. Ela trabalha por encomendas e, volta e meia, suas criações estão à venda no
https://www.instagram.com/viwakuda/?hl=pt-br

Correção: Ao contrário do que informava a primeira versão do texto, a imigração japonesa começou 111 anos atrás, e não 101 anos atrás.

 

Sobre o autor

Pedro Marques já trabalhou em redações e restaurantes, viajou bastante pelo Brasil e pelo mundo para comer e beber bem e trabalha como jornalista de gastronomia desde 2010.

Sobre o blog

Aqui você fica sabendo sobre as coisas mais “daora” dos bares e restaurantes de São Paulo! E outras nem tão daora assim.

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