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O rei do porco

Pedro Marques

03/08/2018 19h48

O casal Jefferson e Janaína Rueda, n'A Casa do Porco (crédito: Raquel Cunha/Folhapress)

Jefferson Rueda, chef d'A Casa do Porco, tem motivos de sobra para comemorar. Além de todas as suas casas serem sucesso de público e crítica (essa ordem é importante), nesta semana, ele foi eleito "chef do ano" pelo especial Melhores de São Paulo, da Folha de S. Paulo, do mesmo grupo do UOL. Não é pouco em uma cidade que tem nomes como Helena Rizzo (do Maní, que ficou com o prêmio de melhor restaurante de 2018), Alex Atala (D.OM., Dalva e Dito e Bio) e Ivan Ralston (Tuju).

Entre os motivos da escolha, com certeza pesaram o sucesso de seus mais recentes empreendimentos: o Hot Pork, especializado em cachorro-quente artesanal, com salsicha desenvolvida pelo próprio Rueda e que não leva nenhum tipo de conservante, e a Sorveteria do Centro, que segue a mesma filosofia e tem receitas de Saiko Izawa, responsável pela confeitaria d'A Casa do Porco. Receitas como o torresmo com goiabada, o pão no vapor com porco e cebola roxa e o porco San Zé, acompanhado de arroz, tutu, farofa e tartar de banana (este é melhor deixar para comer no almoço) justificam o prêmio. Não é exagero dizer que A Casa do Porco e seus restaurantes irmãos são paradas obrigatórias em São Paulo.

O mais importante no trabalho recente de Jeffinho, como ele é chamado, porém é sua visão sobre comida e restaurantes. Enquanto muitos chefs ainda têm como influência o catalão Ferran Adrià, do extinto, caro e mega renomado El Bulli, com todos os seus truques e técnicas "cabeçudas", Jeffinho vai mais pelo caminho de Albert Adrià, irmão de Ferran, e do Tickets, em Barcelona, que oferece alta gastronomia a preços relativamente acessíveis.

Seu menu-degustação custa R$ 110 por pessoa (sem as bebidas) e ele aposta em combinações ora simples, ora surpreendentes, mas que acertam em cheio e conseguem agradar a diversos tipos de paladares. Como um todo, a experiência é mais simples, descontraída e agradável do que em outras casas, onde pedir um menu-degustação é um tour de force que pode levar até três horas entre as entradas e a sobremesa.

De quebra, Jeffinho e sua esposa, Janaína Rueda, estão ajudando a levantar o abandonado centro de São Paulo – lá em 2008 o casal investiu no Bar da Dona Onça, dentro do icônico Edifício Copan, e começou a chamar a atenção para a região. Se hoje muitos bons bares e restaurantes estão abrindo suas portas por lá, um dos motivos é o trabalho de Jeffinho e Janaína. Por isso, não estranhe se ele ganhar o título de chef do ano em 2018. Muito menos se ele for eleito o melhor cozinheiro do Brasil em pouco tempo.

A Casa do Porco
Onde: Rua Araújo, 124, Centro
Telefone: (11) 3258-2578

Bar da Dona Onça
Onde: Avenida Ipiranga, 200, Centro
Telefone: (11) 3257-2016

Hot Pork e Sorveteria do Centro
Onde: Rua Bento Freitas, 454, Campos Elíseos
Telefone: (11) 3129-8735

Sobre o autor

Pedro Marques já trabalhou em redações e restaurantes, viajou bastante pelo Brasil e pelo mundo para comer e beber bem e trabalha como jornalista de gastronomia desde 2010.

Sobre o blog

Aqui você fica sabendo sobre as coisas mais “daora” dos bares e restaurantes de São Paulo! E outras nem tão daora assim.

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