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Com comida não se brinca

Pedro Marques

07/12/2018 10h00

Os sanduíches megacalóricos do Heart Attack Grill, em Las Vegas (crédito: Divulgação)

"É pavê ou pacumê?" Não adianta espernear, a piada infame vai ser repetida a exaustão nesses dias e, claro, durante o jantar de Natal. Eu mesmo faço questão de fazer a gracinha sem graça, só para irritar os outros. Afinal, certas tradições precisam ser mantidas.

Fato é que piadas e trocadilhos com comida são comuns. O que dizer de um sanduíche "bacontente"? Ou da hamburgueria Hã? Burger? Tem ainda o Temaking, provavelmente o rei dos temakis. O Koni, por sua vez, faz referência ao formato dos enrolados nipônicos.

No meio de tantos estabelecimentos de alimentação fora do lar, é normal que brincadeiras sejam feitas para atrair os clientes. Até porque a decisão de ir a um restaurante não tem a ver só com comida: você vai a um lugar para se divertir, conhecer alguma coisa nova ou provar seu prato preferido, ser bem atendido e, claro, comer bem.

Uma das casas mais malucas que conheci é a Heart Attack Grill, em Las Vegas (EUA). Especializada em frituras e pratos nada leves, como o coronary dog, um cachorro quente envolto em bacon e coberto com bastante queijo e chilli, e o quadruple bypass burger, com quase 10 mil calorias! Imagino que ninguém vá até lá torcendo para ter um ataque cardíaco. E há sempre avisos falando para tomar cuidado com a saúde e consultar um médico regularmente.

Porém, todavia, contudo, é normal aparecer alguém que não entende o que é brincadeira saudável. Recentemente, uma hamburgueria do interior de São Paulo achou que seria divertido batizar um sanduíche de "Maria da Penha". O motivo? O lanche vem com repOLHO ROXO. Lógico que a piadinha não caiu bem e os usuários das redes sociais caíram em cima da lanchonete, que por causa da polêmica mudou o nome do burger para "um sanduíche com repolho". Não é o ideal, mas melhorou.

Outra polêmica recente envolveu a campanha de Natal da Perdigão, que apresenta uma família negra como necessitada e que fica muito agradecida por receber a ajuda de uma família branca e rica. Foi bastante criticada por reforçar estereótipos de nossa sociedade.

Sério, podem falar que é "mimimi", "politicamente correto", o que for. Há coisas que não têm a menor graça. Violência doméstica e racismo estão entre elas. Sendo assim, fica a sugestão para você, dono de restaurante ou de empresa de alimentação: pense duas vezes antes de fazer uma piadinha com comida. Os tempos são outros e os clientes que às vezes só querem sair para se divertir podem não deixar passar uma brincadeira.

Sobre o autor

Pedro Marques já trabalhou em redações e restaurantes, viajou bastante pelo Brasil e pelo mundo para comer e beber bem e trabalha como jornalista de gastronomia desde 2010.

Sobre o blog

Aqui você fica sabendo sobre as coisas mais “daora” dos bares e restaurantes de São Paulo! E outras nem tão daora assim.