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A pimenta mais legal do mundo

Pedro Marques

29/03/2019 15h31

Sriracha, a pimenta que nunca gastou um centavo em publicidade (crédito: Wikicommons)

Pimenta – a do gênero capsicum – é um dos meus ingredientes preferidos. Nativa da América do Sul, ela é bastante presente na culinária dos países do continente (não existe comida peruana ou mexicana sem pimenta, por exemplo) e da Ásia, para onde foi levada pelos navegadores portugueses.

Curiosamente, ela não é tão querida assim no Brasil. Há exceções como a Bahia, claro, mas em geral a tolerância do brasileiro é baixa para comidas muito "quentes". Um sinal disso é que vários pratos de culinárias como a tailandesa e a mexicana, entre outras, por aqui são adaptados para versões bem menos ardentes que as originais.

Outro sinal de que ela não é assim tão apreciada são os molhos de pimenta à venda nos mercados. A maioria é um líquido vermelho ralo, mais ácido que ardido e com pouco sabor. Com certeza, minha opinião é enviesada: sou fã de culinária oriental e viajei por quatro meses pelo Sudeste Asiático, onde provei comidas que faziam suar na primeira garfada (ou colherada).

Há um molho de pimenta, no entanto, que não posso ficar sem – o inconfundível Sriracha. A garrafa de plástico com tampa verde e um galo estampado na frente é reconhecida a distância. Seu interior guarda uma pasta de pimenta não muito grossa e de ardência moderada (acho eu), que combina com quase tudo (acho eu de novo), de arroz com feijão a pizzas e sanduíches. O molho é vendido no Brasil há um bom tempo e já tem várias empresas que produzem suas versões nacionais – não tão boas quanto a original (outro achismo).

Apesar de ser fã da marca, nunca tinha parado muito para saber sobre sua história. E foi aí que descobri que esse é, provavelmente, o molho de pimenta mais popular do mundo. Criado em 1980 por David Tran, um sino-vietnamita que fugiu do Vietnã após a vitória dos comunistas, o molho era feito, inicialmente, para restaurantes localizados na Chinatown de Los Angeles.

Sua popularidade vem, literalmente, do boca-a-boca: empresa nunca gastou UM CENTAVO em publicidade. Nada mal para uma empresa que faturou US$ 60 milhões em 2013 (dados mais recentes não foram revelados).

Ursinho com as cores do molho de pimenta (crédito: Divulgação)

Mesmo assim, há uma legião de apreciadores de Sriracha no mundo, que compram camisetas, moletons, capinhas para celular, livros de receitas dedicados ao molho entre outras bugigangas relacionadas, como um urso com as cores da garrafa. Há até um Lexus personalizado, todo vermelho com detalhes em verde.

O Lexus com as cores da Sriracha (crédito: Divulgação)

Quem não deve gostar muito disso são os tailandeses. Afinal, existe uma cidade chamada Si Racha, a 120 km de Bangkokg (capital da Tailândia), que garante ser a terra natal do popular molho. Infelizmente, essa pimenta ainda não chega ao Brasil. Mas a popularidade da pimenta feita nos Estados Unidos têm despertado o interesse pela original. Quem sabe em breve ela não começa a aparecer por aqui, também.

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Sobre o autor

Pedro Marques já trabalhou em redações e restaurantes, viajou bastante pelo Brasil e pelo mundo para comer e beber bem e trabalha como jornalista de gastronomia desde 2010.

Sobre o blog

Aqui você fica sabendo sobre as coisas mais “daora” dos bares e restaurantes de São Paulo! E outras nem tão daora assim.

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